A plenitude dos tempos

Globalização, revolução tecnológica, PAX ROMANA e um profundo sentimento de desilusão marcaram o contexto em que o Cristianismo nasceu. Qualquer semelhança com nossos dias atuais, não é mera coincidência.

Por Charles Schmitt.  1

Paulo escreveu às igrejas da Galácia que “vindo, porém, a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho” (Gl 4:4). Nesta expressão singular – a plenitude dos tempos – Paulo resumiu aqueles longos séculos da atividade soberana de Deus nas nações dos homens, atividade essa necessária na preparação do mundo para a vinda de Jesus, o Messias. É muito interessante que a inscrição colocada na cruz de Jesus tenha sido escrita em hebraico, latim e grego (Jo 19:20). E essas três culturas, mais do que qualquer outras, prepararam o solo para o abundante florescimento da videira messiânica no primeiro século.

Em primeiro lugar, os hebreus em sua dispersão levaram consigo, para todo lugar, o entendimento de um único e verdadeiro Deus – Jeová. Também, estava profundamente arraigada em seu entendimento a expectativa do Reino do Messias no fim dos tempos. O Messias era, na verdade, a esperança de Israel e a luz dos gentios!

Em segundo lugar, a cultura grega contribuiu com sua incomparável língua, falada em todo o mundo conhecido daquela época, inicialmente como meio de proclamação apostólica oral (kerygma) e, mais tarde, como meio de instrução apostólica escrita (didaquê). Também a decadência moral da cultura grega na sua exploração do melhor das habilidades humanas na arte e na literatura, na filosofia e na ciência, serviu apenas para provar a sabedoria do poeta Bonar: “Tudo o que a minha alma provou, deixou apenas um vazio deprimente.” O caminho estava claramente preparado para a declaração ousada do Evangelho: “Há somente Cristo: Ele é tudo em todos” (Cl 3:11).

Em terceiro lugar, a contribuição da cultura romana para a “plenitude dos tempos” consistiu na unificação de todo o império romano, até um conjunto desordenado de nações herdado dos gregos. Através de sua rede de transporte, seu sistema de comunicações e correios, através de sua cultura, leis e governo militar, Roma consolidou e misturou a ‘farinha” de toda a massa da humanidade para que pudesse ser mais facilmente “levedada” pelo Evangelho de Cristo. Jesus realmente nasceu na plenitude dos tempos. Um mundo decadente e falido estava então realmente preparado para ouvir a declaração ungida do Senhorio sublime de Cristo dos lábios daquele pequeno grupo de homens que Jesus pessoalmente discipulou e depois enviou por todo o mundo como porta-vozes de sua redenção universal.

 

NOTAS:

  1. Schmitt, Charles P., “Raiz em uma Terra Seca, Uma Nova Visão da História da Igreja.” Impacto Publicações.
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