A vida da Igreja neotestamentária

Por Rufus M. Jones, historiador e filósofo cristão: 1

partindo o pão

Enquanto essa fase mística do cristianismo primitivo durou, a comunidade era um organismo e não uma organização. Os membros tinham uma experiência em comum. Eles haviam sido fundidos. Haviam sido batizados em um só Espírito.  Eles comiam uma refeição comunitária, todos comiam juntos de um só pão e todos bebiam do mesmo cálice …

Não havia um sistema rígido. Os “costumes” não haviam se tornado um fardo pesado para ninguém. A rotinas e os ritos  sagrados ainda não haviam surgido. Havia muito espaço para a espontaneidade e a iniciativa pessoal. As pessoas e os dons eram a base de tudo. Os procedimentos eram flexíveis, ainda não tinham um padrão pré-estabelecido. Havia espaço para a variável diversidade.  A comunidade se parecia mais a uma reunião de família do que com uma igreja como conhecemos hoje. O amor, ao invés de regras, a guiava. Tudo era singular e nada era repetitivo…

Nenhum líder dominava as reuniões do grupo. Nenhum programa era essencial. O pequeno corpo se reunia como uma comunidade no Espírito e, como Paulo disse, onde está o Espírito ali há liberdade – sem escravidão ou rotina. As reuniões eram carismáticas, isto é, eram conduzidas pelos “dons espirituais” daqueles que estavam presentes. O dom principal era a profecia, que consistia em uma proclamação espontânea de uma mensagem inspirada pelo Espírito por alguém que tivesse um bom depósito interior de vida; era frequentemente esclarecedora e construtiva, “edificante”, como diria Paulo…

Havia também outra característica constantemente presente: um poder moral muito elevando. Eles andavam no Espírito e possuíam os frutos do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio… que como uma força interior construtiva, os transformava em um só corpo, uma comunidade unificada.

NOTAS:

  1. Segundo citação de Charles P. Schmitt em Floods Upon the Dry Ground, pp. 7-8. Shippensburg, PA. Destiny Image (1999).
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