Creio

I – Na existência de um único Deus, criador de todas as coisas, revelado em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, igualmente eternos, igualmente perfeitos, iguais em glória, majestade e poder (Ex 20:1-3; Is 43:10; 44:6-8; Mt 28:19; Lc 3:21-22)

II – Na divina inspiração e infalibilidade das Sagradas Escrituras compostas do Antigo e do Novo Testamento em sua composição original. Considero a Bíblia como autoridade suprema e final em questões de fé e conduta, em questões acerca da origem de todas as coisas e da vida pós-morte, sendo o prumo pelo qual toda doutrina, pensamento ou procedimento deve ser julgado (2 Tim 3:16-17; 2 Pe 1:20-21; Hb 4:12).

III – Que Deus Pai é o Criador de todas as coisas e Autor da redenção eterna (Ec 11:5, 1 Jo 5:11).

IV – Que Jesus Cristo é o Filho de Deus para o qual e por meio do qual todas as coisas foram criadas pelo Pai. Que Cristo veio a este mundo em carne com a missão de salvar os homens de seus pecados. Nasceu da virgem Maria, concebido pelo Espírito Santo. Apesar de ser Deus, abriu mão de seus privilégios divinos e encarnou-se para viver como homem, vencendo o pecado na carne ao viver uma vida perfeita e sem a mácula. Foi crucificado unicamente por nossos pecados, razão pela qual se tornou o único Mediador entre Deus e os homens. Foi sepultado e ressuscitou fisicamente ao terceiro dia. Após aparecer a uma grande multidão de discípulos, ascendeu ao Pai onde hoje se encontra, até o Dia em que retornará física e pessoalmente para resgatar sua Igreja, julgar a humanidade e reinar sobre as nações. (Fp 2:7, Rm 8:3, Jo 1:1,14-18, 2:19-21; At 17:31; 1 Cor 15:1-8; Col 2:9; 1 Ts 4:16-18; Hb 1:1-4; 1 Jo 4:1-4).

V – Que o Espírito Santo é o Consolador, a Promessa do Pai. Sua missão é levar-nos, tanto coletiva como individualmente, a conhecer as infinitas dimensões da Pessoa do Senhor Jesus Cristo por meio do batismo no Espírito Santo e através da revelação das Santas Escrituras. Ele regenera e santifica todo aquele que se arrepende de seus pecados, gerando em nós filhos à semelhança de Jesus Cristo, tanto em caráter como em poder. É o distribuidor de todos os dons espirituais listados nas Escrituras – para os quais não há data de expiração – por meio dos quais o Espírito Santo equipa os santos para a obra do ministério. (At 1:4, At 1:8, Rm 5:5, 1 Cor 12:1-14, 1 Cor. 12:27-30, Rom. 12:6-8, Ef; 4:11-12; Gl 5:22-23).

VI – Que a raça humana foi originalmente criada por Deus à sua imagem e semelhança para ter comunhão com o Criador e exercer domínio sobre a Criação. Entretanto, por causa de sua rebelião, o Homem entregou o governo deste mundo nas mãos de Satanás. Consequentemente, toda a Criação foi contaminada pelo pecado, e toda a raça humana tornou-se corrupta e separada de Deus, sendo a morte física e espiritual a conseqüência final. A restauração de sua comunhão com Deus é essencial à humanidade, entretanto o Homem está incapacitado de conquistá-la por si mesmo. A salvação do gênero humano foi providenciada por Deus unicamente pelo sacrifício vicário de Jesus Cristo. Esta é uma obra exclusiva da graça de Deus e, portanto, cabe ao homem somente arrepender-se de seus pecados e ter fé na suficiência do sangue de Jesus para a expiação de seus pecados e para o dom da vida eterna em Cristo (Gn 1:27; Rm 3:23, 5:1,12, 6:23; Ef 2:8-9; Gal 5:1-5, 1 Jo 5:19).

VII – No batismo por imersão não como requisito para a salvação, mas como expressão visível da fé e um marco tangível da ruptura entre nossa vida passada e nossa nova vida em Cristo. É um ato profético de nossa morte, sepultamento e ressurreição em Cristo em obediência ao mandamento do Senhor (Mt 28:19-20, At 2:38).

VIII – Na Ceia do Senhor como uma refeição literal a ser compartilhada pelos discípulos em memória do Senhor Jesus até o Dia de sua vinda. Não é um funeral e sim uma celebração, pois pelas suas feridas é que fomos sarados. Não demanda uma atitude religiosa penitente, mas sim de júbilo, pois aponta para um fato glorioso, digno de celebrarmos: é um ato profético da Vida de Cristo sendo ingerida, distribuída e compartilhada por aqueles que participam da Ceia (Is. 53:5, Jo 6:48-58, At 2:42,46, 1 Cor. 10:17, 1 Cor. 11:23-26).

IX – A Igreja é o Corpo visível de nosso Senhor Jesus Cristo na terra, sendo a agência exclusiva por meio do qual Ele revela Seu Reino no mundo. Creio no ajuntamento dos santos, não como um evento religioso em que uma platéia inerte assiste a uma apresentação, mas em que Cristo é manifestado no ajuntamento pela livre manifestação dos dons de cada membro do Corpo de Cristo. A Igreja não está encapsulada em uma instituição terrena, pois o Senhor Jesus nunca fundou nenhuma organização religiosa, apenas deixou seu Nome para aqueles que nele crerem. Ninguém se torna parte desta Igreja por ministração de sacramento, mas por arrependimento e fé no Nome, independentemente de sua filiação eclesiástica. A Igreja não é uma instituição religiosa ou um prédio, é a família de Deus . Seu governo é orgânico e não hierárquico, em que não há “mediadores”, e sim pais espirituais, servos e facilitadores. O Corpo de Cristo é o Tabernáculo de Deus na terra razão pela qual o Senhor não necessita mais de templos de alvenaria, pois habita em sua Igreja que é o Verdadeiro Templo. A missão exclusiva da Igreja é expressar o amor de Deus ao mundo por meio da pregação do Evangelho, por obras de amor e pela demonstração do poder de Deus – evidenciado por uma vida regenerada e pela operação dos dons espirituais (Jo. 2:19; 1 Cor. 6:19, 14:26, Ef. 2:19, 4:11-12).

X – Que a Igreja luta contra 3 monstros que a assombram desde o momento de sua concepção: o pecado, a heresia e as tradição humanas. Uma sincera análise bíblica e histórica nos levará à conclusão de que, apesar da constante presença na terra de um remanescente profético (tanto dentro como fora da Igreja institucionalizada), ao longo dos séculos o cristianismo por diversas vezes sucumbiu a tais influências que gradualmente se enraizaram entre os cristãos – um processo gradual de degradação, que culminou na apostasia compreendida no período histórico denominado como Milênio das Trevas. Apesar da constante existência de movimentos de reforma operando paralelamente à Igreja institucionalizada, a Reforma Protestante foi o grande catalizador pelo qual o Senhor vem, desde o século XVI, gradualmente, restaurando sua Casa e purgando a Igreja de tais influências — devolvendo-nos as Escrituras, os dons espirituais, os ministérios e a revelação dos princípios em que operava a Igreja Primitiva —, para que a Igreja dos últimos dias possa desfrutar de poder e de glória, comparáveis aos que experimentou a primeira geração de cristãos, para o testemunho de Cristo em meio à apostasia dos últimos tempos. E assim, Cristo será revelado na terra por uma Igreja Gloriosa, uma noiva ataviada que será levada ao encontro de seu Noivo no final dos tempos (Ef 5:27).

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