O Evangelho, o Populismo e a Guerra de Clans

Independentemente de inclinação ideológica ou filiação política, devemos todos reconhecer que o Brasil nunca esteve tão dividido como está nos dias de hoje. E a culpa por grande parte desta divisão é uma mensagem política que joga a classe média contra o pobre, o negro contra o branco, o Norte contra Sul, o nordestino contra o paulista, etc.

Há hoje um classismo/racismo reverso sendo aceito como politicamente correto que justifica o ódio do negro para com o branco, do pobre para com a classe média, do nordestino para com o sulista, da mulher contra o homem, do gay contra o hétero, do progressista para com o conservador. E este espírito diabólico de divisão contaminou também a Igreja por meio de homens que outrora serviram como vozes proféticas à nação no tocante à justiça social.

Obviamente, não ignoro que o Brasil possui bolsões de racismo e classismo. Mas a guerra de classes e raças instigada pelas atuais lideranças políticas mais feriu o Brasil do que o consertou. Ao invés de cicatrizar, rasgou ainda mais a ferida. Ao invés de curar, sangrou ainda mais.

Governos populistas costumam, como tática, dividir a sociedade para conquistá-la. Não há interesse em fechar o abismo que separa pobres de ricos, brancos de negros ou gays de héteros. O interesse é acirrar ainda mais as diferenças sociais, estabelecer-se como “o porta-voz das minorias oprimidas” e assim fortalecer seu reinado sobre uma sociedade fragmentada e enfraquecida.

Mas a mensagem do Evangelho é a da reconciliação, não da separação. No tocante à Igreja, é hora de se arrepender deste pecado e dar um BASTA.

Em um contexto de tremenda opressão racial, Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela mudaram o panorama social de seus respectivos países (EUA e África do Sul) buscando a reconciliação com seus opressores. No verdadeiro espírito do Evangelho, eles estenderam a mão àqueles que os oprimiam. Malcolm X, por outro lado, contemporâneo de MLK, era contra a reconciliação, e pregava a hostilidade e a resistência aos opressores. Tanto Mandela quanto MLK deixaram um legado às gerações vindouras. Seus nomes são lembrados e monumentos são erigidos em sua homenagem. Já de Malcolm X poucos se lembram.

É momento de nos arrependermos desta mensagem de ódio e separação e nos voltarmos para o Espírito reconciliador daquele que uniu em um só sangue negros e brancos, ricos e pobres, mulheres e homens, nordestinos e sudestinos.

A Guerra de Clans precisa acabar.

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