Os apóstolos erraram ao lançar sortes na escolha de Matias?

Alguns irmãos em igrejas caseiras estão tendo dificuldades com liberais que se infiltram nas comunidades, intitulando-se “presbíteros”, que não creem nas Escrituras e apontam erros na narrativa bíblica no intuito de desacreditá-la. Um dos supostos erros apontados é o fato de os apóstolos terem “lançados sortes” para escolher o substituto de Judas ao invés de “consultar o Espírito.” Os apóstolos erraram ao lançar sortes na escolha de Matias?

Caro leitor:

Lançar sortes seria equivalente a lançar dados ou jogar uma moeda para tirar “cara ou coroa”. Tal prática é vista como algo supersticioso nos dias de hoje, mas nos tempos bíblicos era algo comum. Somos uma geração privilegiada, premiada com um cânon já formado e com o batismo no Espírito Santo disponíveis a qualquer crente em nossos dias. Portanto lançar sortes já não se faz mais necessário e hoje somos chamados a “compreender qual é a vontade do Senhor” (Ef 5:17) pela “renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rom 12:2).

No entanto, a prática de lançar sortes é mencionada diversas vezes no Antigo Testamento. Deus permitia que os israelitas lançassem sortes para determinar sua vontade em uma situação em particular. Sob a liderança de Josué, sortes foram lançadas na divisão de terras entre as tribos (Josué 18:1-10). No livro de Números, vemos Deus ordenando o lançamento de sortes (26:55; 33:54; 34:13; 36:2) e várias funções no Templo eram determinadas desta maneira (1 Cr 24:5, 31; 25:8-9; 26:13-14, Nm 10:34). Em outra palavras, Deus falava por das sortes. Nada mais natural que, antes da vinda do Espírito Santo, os apóstolos se utilizassem deste recurso para determinar o substituto de Judas.

Após a descida do Espírito, não há mais registros desta prática na Igreja. Por exemplo, na ocasião em que os apóstolos debatiam a inclusão dos gentios na Igreja, vemos que tal decisão foi tomada por meio das Escrituras e por revelação do Espírito (Atos 15:15-19). No entanto, antes do cumprimento profético de Pentecostes, em Atos 2, tal prática era legítima.

Algumas pessoas alegam que a escolha de Matias foi precipitada, mas a própria Escritura atesta que tal atos foi uma providência divina, pois em Atos 2:24 o Espírito Santo inspira Lucas a se referir a Matias como um dos onze.

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