Sobre a maioridade penal e o outro lado da justiça social

Por Guilherme de Carvalho: 1

“Criminalização dos jovens” e “genocídio social”. É como alguns denominam a redução da maioridade penal, mesmo no caso exclusivo de crimes hediondos. E o afirmam falaciosamente, sabendo que uma minúscula porcentagem dos jovens infratores seria atingida por essa redução. E sobre a reparação do Estado ou dos infratores às vítimas desses crimes? Nenhuma palavra. NENHUMA PALAVRA!

Que sorte de profeta é este? Como alguém que assim se posiciona pode ter autoridade para falar em “justiça social” – e pior, em nome de Deus e de sua missão? Se já permitiu a dissolução de seu senso natural de justiça em nome da ideologia? Se a noção de pecado estrutural se hipertrofiou a ponto de tornar-lhe invisível a culpabilidade pessoal? Se confunde compaixão com justiça e justiça com leniência? Se pretende tratar o ato injusto intencional apenas com “educação” e perdeu a memória da palavra “retribuição” – a memória clássica, suméria, hebraica, grega, romana, Cristã, católica e reformada, inacreditavelmente confundindo-a com “vingança”? Se manipula a questão sempre com dois pesos e duas medidas, aumentando o protagonismo político do jovem, mas atenuando sob quaisquer condições sua responsabilidade civil?

Pensam que são cheios de compaixão e humanidade, mas são hipócritas e invertidos morais, fazendo a sede de justiça copular com o ressentimento social, exilando o escrúpulo natural contra a injustiça por alegado “conluio” com a “impiedade” conservadora. É certo que Jesus subverteu a justiça dos fariseus, sim; mas o farisaísmo moderno é mesmo a nova esquerda (ou grande parte dela), que se pensa “do bem” e acima de escrúpulos “moralistas” dessa “plebe maldita e vingativa, que nada sabe da lei do amor”.

NOTAS:

  1. Guilherme de Carvalho. Mensagem publicada em seu perfil pessoal no Facebook. 29 de maio de 2015. Disponível em https://goo.gl/S6CY1G.
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