Sobre cair no espírito e outras manifestações espirituais

De tempos em tempos, há muita discussão a respeito de fenômenos espirituais como cair no Espírito, convulsões, transes e outras manifestações. No intuito de contribuir no diálogo, publiquei uma série de relatos históricos de avivamentos em que tais manifestações ocorreram. Não tive e não tenho a intenção de validar todas as atividades espirituais dos ajuntamentos pentecostais e neopentecostais da atualidade. Minha intenção é somente oferecer uma análise histórica mais realista de tais fenômenos.

Sempre há muita inverdade e chocarrice publicadas a respeito do assunto. Em alguns casos por torpe ignorância, em outros casos por flagrante desonestidade intelectual de pessoas que possuem calibre teológico suficiente para saber que “cair no Espírito” e “risos no Espírito” não foram invenções da Igreja do Aeroporto em Toronto ou do G12 de Bogotá. E apesar de os santos do Avivamento da Rua Azusa (1906) também terem experimentado fenômenos como gargalhadas, convulsões e desmaios em suas reuniões, isso tampouco se trata de uma invenção do movimento pentecostal.

Há um testemunho coletivo destes fenômenos ocorrendo em avivamentos ao longo da história da Igreja, muito anteriores aos movimentos acima citados. O testemunho de tais manifestações partiram da pena de homens respeitados como John Wesley, George Whitefield, Jonathan Edwards e Martyn Loyd-Jones, cuja reputação ministerial poucos entre nós ousariam questionar. A estes, poderíamos somar uma lista infindável de homens e grupos tais como os huguenotes franceses, George Fox e Charles Finney.

Obviamente, o simples testemunho histórico de uma prática não a torna automaticamente aceitável. É necessário analisar toda e qualquer prática à luz das Escrituras. Pretendo, um dia, dar continuidade a esta série expondo minha análise bíblica a respeito do assunto. Mas no momento desejo somente expor o paradoxo de certos websites que publicam citações de calvinistas como Whitefield, Edwards e Lloyd-Jones, mas que desconhecem ou deliberadamente omitem certos episódios da vida destes homens que contradiriam sua linha editorial cessacionista.

Assim, a não ser que estejamos dispostos a queimar todos os nomes acima citados na fogueira ideológica da inquisição pós-moderna (da mesma maneira que queimamos nossos contemporâneos), sugiro que desenvolvamos uma discussão responsável e séria a respeito do assunto, em que estejamos dispostos a expor nossas perspectivas bíblicas e históricas de tais fenômenos sem as chocarrices, o sensacionalismo, a incredulidade e o preconceito que infelizmente caracterizam o debate a respeito do tema.

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